Professor Alberto compartilhando toda sua experiência com os alunos da escola Leocádia no projeto
Social futebol clube, uma conquista da comunidade junto à SME através do seu líder comunitário Henrique com uma adesão acima de 100 crianças. realizado todas a sextas e quarta feira no parque Ipanema(campo da gráfica)
Amava os Beatles, Stones e Alberto.
Por Roberto Mosmann
28/07/2007-03:30:40
Por Roberto Mosmann
28/07/2007-03:30:40
É claro que o clube de Eurico Lara – a lenda – haveria de ter forte tradição em goleiros. Vou falar no melhor que vi e lembro jogando no Grêmio. Vou falar de Alberto. Aliás, opinião de várias pessoas que o viram jogar, inclusive Airton Pavilhão e Paulo Roberto Falcão.
Na década de 60, vi dois goleiros revezarem-se no Grêmio: Arlindo (um sóbrio e correto goleiro) e Alberto, um SENHOR goleiro! Mas, por favor, ponham goleiro nisso. Foi meu primeiro ídolo no imortal tricolor! Esse negócio de ídolo nos anos 60 era - desculpem a brincadeira - Cassius Clay (antes de ser Mohamed Ali), Jimmy Hendrix, as grandes bandas, todas em começo de carreira (Who, Floyd, Led Zeppelin, etc), enfim, anos incríveis. Anos de ídolos! Roberto Carlos era uma brasa, mora? Pelé...bah! Pra minha geração, é quase SACRILÉGIO o que escuto falarem de Pelé. Eu nunca rebato. Mas se vocês soubessem o que Pelé representava para o Brasil e para nós, crianças dos anos 60! Eu vi Pelé ao vivo sete vezes. E vi mais de cem vezes pela televisão. NUNCA HOUVE NADA PARECIDO COM PELÉ! Talvez quem não goste dele tenha razão e ele, não. Mas eu nunca cresci o suficiente pra xingar Pelé. Odiar Pelé? Nem que eu vivesse mais mil anos... Disparado, o maior jogador de futebol do mundo. O REI! Orgulhava o Brasil inteiro, no mundo!
Eu cortava meu cabelo "meia-cabeleira", que nem o John Lennon, meu ídolo! A maioria dos meus amigos era mais Ringo. Eu sempre adorei o John. Quando me descobri míope, em 1971, aos 12 anos, a única coisa que atenuou a dor de usar óculos foi poder usar lentes azuis (igual Lennon). Foi nesse cenário, então, que um garoto como eu, que amava os Beatles e os Rolling Stones, descobriu Alberto.
Que me perdoem Danrlei e Mazaroppi (aos quais respeito, devo e adoro), mas Alberto foi o melhor goleiro que vi atuar no Grêmio. Vi, maravilhado, Alberto fazer defesas maravilhosas defendendo a meta do Grêmio. Era elástico, clássico. Suas pontes eram verdadeiras poses para fotos espetaculares. Tinha muita segurança. Ele tinha uma jogada que era a de defender a bola acima da cabeça com as duas mãos e prendê-la (grudava nas mãos, que não usavam luvas) sem nem mesmo olhá-la. Além dele, o único goleiro que vi fazer isso foi Manguita Fenômeno, o melhor goleiro brasileiro que vi jogar.
Alberto era um grande defensor de pênaltis. E, como todo o grande goleiro, também tinha muita sorte quando precisava. E qual goleiro não precisa? Tinha dias em que a bola não entraria no gol do Grêmio de jeito nenhum. Nesses dias, meu pai dizia, satisfeito: "Hoje, não tomamos gol de jeito nenhum! O Alberto abriu a Leiteria". E a bola que estava quase entrando desviava num montinho e lentamente ía pra fora. Ou batia no poste, ou nos dois postes, mas não entrava. Eram dias de leiteria de São Alberto! Esse negócio de leiteria foi inaugurado por Castilhos, do Flu. Tudo bem, a gente era província e copiava mesmo. E daí?
Eu adorava ver Alberto jogar. Era meu ídolo máximo. Tanto que no natal de 1967, ganhei um fardamento de goleiro completo, menos as luvas – que isso era frescura –, mas meião, joelheira, calção acolchoado e a linda camiseta roxa, também acolchoada, no peito e nos cotovelos. Igualzinha à do Alberto. Com este fardamento e inspiração, me tornei um bom e corajosíssimo goleirinho nas calçadas e campinhos do meu bairro. Não tinha ruim! Eu ia em todas, que nem Alberto. Haja menthiolate e mercúrio cromo (hehehe). Mas também é pra isso que existe mãe, né?
Alberto deveria ter sido o goleiro da Seleção do Tri, em 1970. Era o mais cotado. Em 1968, a Seleção fez vários jogos preparatórios para as eliminatórias e o Mundial. Havia, então, um revezamento entre ele, Picasso (São Paulo) e Cláudio (Santos). Alberto levava vantagem. Foi o goleiro de Brasil 2 x 1 Seleção da FIFA (Mazurkiewicz, Beckenbauer, Eusébio, Overath, Pedro Rocha, Djazick são os que lembro nessa partida). Pegou muito o nosso (no caso, meu) Alberto.
Mas em 1969, Alberto desentendeu-se com a direção do Grêmio. Algum dirigente esperto decidiu puni-lo e deixá-lo na "geladeira". Ficou um ano e meio sem jogar. Perdeu a chance de ser outra estrela dourada da bandeira do Grêmio, como Everaldo. Página feia na história tricolor. Engraçado, o futebol. Os goleiros cotados eram: Alberto, Cláudio e Picasso (nesta ordem). Foram tri em 1970, Félix, Ado e Leão (nesta ordem). Vá tentar entender.
Vi Cássio fechar o gol na Sub-20. Agora, ele vai pro PSV. E vai dar belo lucro ao Grêmio! Também vi duas meninas coloradas escreverem uma carta de 18 metros ao ídolo Alexandre Pato. Lucas foi embora. Vai jogar na Liverpool, dos meus Beatles. Leva muitas saudades e deixa muitas e boas lembranças. Como deixou Andershow, que está na mesma Inglaterra. São e serão para sempre os primeiros ídolos de alguém. O futebol precisa muito desses caras. O primeiro ídolo, a gente nunca esquece. E Alberto foi meu PRIMEIRO ÍDOLO DO GRÊMIO!
A ele, Alberto, dedico este texto. E com sua permissão, gostaria de dedicar a um menino do passado também. Um tal de Robertinho. Que aos oito anos sonhava ser exatamente igual a ele!
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